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sexta-feira, 6 de junho de 2014

DIA D - 70 anos do desembarque na Normandia

Responsável por abrir um novo front durante a Segunda Guerra Mundial, o desembarque das tropas aliadas na Normandia (norte da França) colaborou enormemente para a derrota alemã. Se as tropas soviéticas promoviam o recuo nazista pelo leste, a operação militar do dia 06 de Junho de 1944 possibilitou aos Aliados o início da retomada da França, até então dominada pelos alemães. Menos de um ano depois daquele Junho de 1944, a Alemanha nazista estava derrotada.

terça-feira, 3 de junho de 2014

"Renascimento" comercial e urbano

por Fernanda Machado

A Idade Média (476 a 1453) costuma ser conhecida como a época em que a economia européia esteve praticamente estagnada. Essa afirmação é feita porque a maior parte da população vivia nos feudos, que eram grandes áreas cercadas e isoladas uma das outras, com uma economia quase auto-suficiente. Desse modo, costuma-se dizer que o comércio de produtos praticamente desapareceu no período medieval.

No entanto, devemos relativizar essa idéia. Durante a Idade Média continuaram a existir profissionais como os artesãos (ferreiros e construtores de máquinas, por exemplo), comerciantes e negociantes. As pessoas não deixaram de adquirir certos equipamentos fundamentais à prática da agricultura (como enxadas e arados), que eram, portanto, fabricados e comercializados. Ainda que essas atividades de comércio tenham sido bastante restritas, numa Europa separada por feudos e ameaçada por guerras entre os povos do continente, isso não significa que elas tenham desaparecido.
Pintura que retrata uma feira comercial medieval
O período de auge do feudalismo foi o que se costuma chamar de Alta Idade Média (séculos V a X). Mas, a partir do século X, as coisas começaram a mudar. Diversos fatores ajudam a explicar por que a agricultura deixara de ser a principal atividade econômica, abrindo espaço para o chamado Renascimento comercial, que, a partir do século XI, inaugurou definitivamente a Baixa Idade Média, que se estenderia até o século XV.

Assim, a Europa vivia em meados do século X uma relativa época de paz, já que os ataques de um reino a outro haviam diminuído bastante. Essa queda no número de conflitos foi responsável por um considerável aumento populacional: em 300 anos a população da Europa cresceu de 8 milhões para 26 milhões de habitantes. Isso gerou um excedente populacional, que começou a necessitar de mais espaço e a expandir-se para além dos feudos.

Anteriormente, havia a população de comerciantes, negociantes e artesãos que, devido à sua prática profissional itinerante, começaram a se fixar no entorno dos feudos, constituindo, assim, as vilas e burgos. Dessa forma, aqueles que moravam nessas localidades eram conhecidos como burgueses e, ao longo dos séculos, essa denominação passou a denominar os comerciantes e os homens ricos.

Com o aumento demográfico na Europa, a população dos burgos foi crescendo também. Isso se dava porque muitos servos acabavam por fugir dos feudos para escapar das imposições da relação servil. Ou ainda, porque aqueles servos que mais causavam problemas aos seus senhores eram expulsos de suas terras, indo engrossar a população das vilas. Assim, essas pequenas localidades começaram a crescer e se tornar importantes concentrações de trabalhadores livres e comerciantes, onde passaram a ser organizadas feiras permanentes, o que resultou no surgimento de inúmeras cidades.
Village Baux (França): vila que nasceu e se desenvolveu aos pés de um castelo medieval

Como anteriormente a maior parte da Europa era constituída por feudos, esse processo foi chamado de "Renascimento urbano", pois as cidades voltaram a se tornar importantes núcleos econômicos. Ao mesmo tempo, isso indicou também a decadência dos vínculos feudais, pois os moradores da cidade passaram a negociar com os senhores o fim do pagamento de tributos e serviços, através da compra da chamada carta de franquia.

O aumento da liberdade política e econômica foi propiciando o aprimoramento do trabalho urbano. Os artesãos, que faziam os produtos consumidos pelos europeus, passaram a ser organizar em entidades para além de suas cidades. Para isso, formaram as guildas e as corporações de ofícios, que eram associações de trabalhadores de determinados profissões. Por exemplo, uma corporação de sapateiros ditava as normas de fabricação de seus produtos e as formas de sua comercialização, a fim de proteger esses profissionais no mercado e propiciar seu lucro.

Imagem simbolizando artesãos medievais realizando seu trabalho
Ainda que tenha favorecido principalmente o comércio, essa expansão espacial pelo continente europeu foi estimulada até pelos nobres feudais. Os donos dos feudos viam seus campos serem esgotados pela exploração contínua e tinham interesse em expandir suas riquezas territoriais. Assim, incentivavam a ocupação de outras áreas por seus servos, que através de outras formas de cultivo (como a utilização rotativa do solo) e do uso de um tipo de arado mais resistente, conseguiram expandir também a produção agrícola, num processo chamado de "Renascimento agrícola".

"Renascimento agrícola": melhorias no campo
Houve, por sua vez, um outro fator que caminhou paralelamente a esse novo comércio europeu e foi, ao mesmo tempo, o que contribui para que ele se expandisse mais: as Cruzadas. A Igreja católica, aproveitando-se da legião de homens desocupados nos centros urbanos, começou a realizar expedições para além dos limites continentais, dando um outro sentido para a economia medieval.
Cruzadas: conflito além dos motivos religiosos
Com a justificativa de conquistar povos para a fé cristã e ao mesmo tempo reconquistar territórios de outros povos, nasceram as Cruzadas, expedições militares e religiosas que foram praticadas durante quase 200 anos, entre os séculos XI e XIII. Foram realizadas oito dessas expedições nesse período, que atravessaram o continente europeu, cruzaram mares e chegaram a outros continentes. Isso fez com as rotas comerciais acompanhassem esse traçado aberto pela cruz e pela espada.

Artigo retirado de:
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u19.jhtm

Cruzadas

Fernanda Machado*

Entender o que foram as Cruzadas não é difícil se partirmos inicialmente do entendimento de seu próprio nome. Seu nome deriva da palavra "cruz", que indica o martírio de Jesus Cristo, carregando-a e sendo nela pregado, até morrer de maneira lenta e dolorosa. Durante a Idade Média, a Igreja transformou a cruz no símbolo do cristianismo. Assim, as Cruzadas foram expedições organizadas pela Igreja para levar o cristianismo para outros povos, que não seguiam essa religião.

No entanto, para impor essa cruz, ou a fé em Cristo, para ou praticantes de outras religiões, não adiantava usar somente a palavra. Para povos que oferecessem resistência, a palavra seria de pouca serventia. Assim, a força armada era o principal elemento dessas expedições, que se denominavam também de "Guerra Santa".

A principal justificativa das Cruzadas foi reconquistar territórios perdidos para os inimigos da fé católica, ao mesmo tempo trazendo novos povos e regiões ao domínio da Igreja. Assim, a primeira Cruzada partiu em 1096 para Jerusalém, no Oriente Médio, região do nascimento de Jesus, considerado lugar sagrado pelos cristãos.


Os dois lados das Cruzadas: o cristão (esquerda) e o muçulmano (direita)
"Infiéis" na Terra SantaJerusalém havia sido dominada pelos turcos, que eram praticantes do Islamismo e proibiram a presença cristã na chamada "Terra Santa". Essa primeira Cruzada durou três anos: percorreu grande parte do continente europeu e, atravessando parte do mar Mediterrâneo, chegou a Jerusalém por terra.

Ao longo de mais de 200 anos, entre os séculos 11 e 13, foram realizadas oito Cruzadas. A mais longa durou seis anos e a mais curta, apenas um. No decorrer desse período, as Cruzadas foram desfazendo o isolamento em que a Europa se metera na Alta Idade Média, e reativando cada vez mais o trânsito por mar, chegando, inclusive, a retomar o contato com o continente africano.

Essas expedições em busca de novas terras atraíam milhares de pessoas. Havia um forte elemento religioso que motivava essas pessoas a virarem os "soldados de Deus". Ao atribuir às Cruzadas o caráter de "Guerra Santa" e considerá-las sagradas, a Igreja católica prometia aos seus soldados um lugar no Paraíso, depois de sua morte. Mas, além da justificativa religiosa, o interesse econômico de atacar outros povos, invadir suas cidades e saquear suas riquezas, era certamente algo interessante para os cavaleiros que marchavam nas Cruzadas.

Uma Cruzada paralela
Assim, mais do que empreendimentos exclusivamente espirituais, as Cruzadas foram financiadas tanto pela Igreja, como pelos nobres e por ricos comerciantes, como um negócio ou investimento. Por outro lado, uma legião de miseráveis acabou se juntando à primeira delas, e compôs uma Cruzada paralela, não oficial, que chegou a ser condenada pelo Papa.

Isso ocorreu entre 1096 e 1099. Assim, essa primeira expedição oficial que rumava para Jerusalém, a fim de reconquistar a terra ocupada pelos turcos, foi copiada por uma expedição de pobres e miseráveis, que também queria seu lugar no céu, bem como riquezas na Terra. No entanto, essa "Cruzada paralela", organizada por Pedro, o Eremita, que conseguiu juntar 50 mil fiéis, foi aniquilada ao chegar em Constantinopla.

Já a Cruzada oficial, financiada pela nobreza e comandada por Godofredo de Bouillon, contou com 100 mil homens soldados e terminou com um final feliz para os cruzados: eles conseguiram não só reconquistar Jerusalém, como também a tomar a terra dos turcos.


Diversas representações de cruzados (guerreiros cristãos), um cavaleiro templário e imagem do filme "Cruzada"
Saladino e Ricardo Coração de LeãoQuase 50 anos depois, Jerusalém foi reconquistada pelos turcos e a Igreja teve nova justificativa para empreender uma outra Cruzada. Assim, entre 1147 e 1149, ocorreu a Segunda Cruzada, financiada por nobres franceses e germânicos. No entanto, essa campanha resultou num grande fracasso para os europeus.

Quatro décadas se passaram, quando se resolveu empreender mais uma expedição militar à Terra Santa, que, dessa vez, estava sob o domínio de um sultão árabe, Saladino. Essa Terceira Cruzada, ocorrida entre 1189 e 1192, mais do que ter financiamento dos nobres, teve a presença dos reis de três dos principais reinos daquele período: da França, com Felipe Augusto; da Inglaterra, com Ricardo Coração de Leão, e do reino germânico, com Frederico Barba Ruiva.
Saladino vestido para o combate e em uma reunião com seus seguidores

Apesar disso, a expedição também foi derrotada militarmente. O Barba Ruiva morreu antes de chegar ao campo de combate, ainda que Ricardo Coração de Leão tenha conseguido um acordo com Saladino, o que permitiu aos cristãos pelo menos o direito de rezarem desarmados em Jerusalém.

Venezianos e criançasAs demais Cruzadas não foram expressivas pelo sucesso de sua missão religiosa, mas por outros motivos. Assim, a Quarta Cruzada, realizada entre 1201 e 1204, que foi financiada pelos comerciantes de Veneza, trouxe grandes benefícios a seus organizadores, pois submeteu povos da Grécia e os bizantinos aos tratados comerciais venezianos.

Em 1212, houve uma Cruzada bastante curiosa, não reconhecida pela Igreja católica, organizada por um menino de 12 anos, chamado Estevão de Cloyes. Este garoto conseguiu juntar com ele mais 30 mil jovens, que acreditavam que o Mar Mediterrâneo se abriria para eles chegarem até o Oriente Médio. Muitos comerciantes e proprietários de navios se interessaram por essa Cruzada, prometendo transportar as crianças para a Terra Santa. Na verdade, o que fizeram foi vendê-los como escravos nas cidades pelas quais passavam.

As últimas CruzadasTodas as outras Cruzadas foram fracassos militares: tanto a Quinta, organizada entre 1217 e 1221, quanto a Sexta, realizada entre 1228 e 1229. Esta última foi condenada pelo Papa, pois seu líder, Frederico 2º, Imperador do Sacro Império Germânico passou por cima da autoridade papal, fazendo acordos diplomáticos com os egípcios.

Finalmente, com quase 30 anos de distância uma da outra, a Sétima e a Oitava Cruzadas foram realizadas pelo rei francês Luiz 9º. Este rei, tratado com um santo pela Igreja católica, foi feito prisioneiro pelos seus inimigos durante a Sétima Cruzada (que durou 6 anos, entre 1248 a 1254). Na Oitava e última Cruzada, que durou apenas um ano, em 1270, o final da expedição foi ainda pior. A maior parte dos cruzados, inclusive Luiz 9º, acabou morrendo de peste antes de chegar à Terra Santa.

Como pudemos ver, as Cruzadas envolveram interesses e crenças de diversos grupos sociais da Idade Média. Pobres, vagabundos, crianças sem perspectiva; nobres poderosos, influentes reis em busca de expansão de seus poderes; ricos comerciantes dispostos a estabelecerem novas rotas de comércio. Todos essas pessoas, com seus projetos e intenções fizeram parte das expedições religiosas e armadas, idealizadas pela Igreja católica para ampliar o domínio do cristianismo no mundo.

Texto retirado de:http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u15.jhtm

Igreja Mediaval

*por Fernanda Machado

Poder e riqueza da Igreja Católica
A partir do século 10, com a desagregação política que caracterizou a Idade Média, sem um poder centralizador no continente europeu que comandasse os diversos povos que nele viviam, a Igreja Católica obteve espaço para ir expandindo cada vez seu "império da fé". Assim, acreditar em Cristo pressupunha uma série de regras que todo indivíduo deveria seguir para merecer um lugar após a sua morte no Paraíso celeste, ao lado de Deus.

Objetivando fazer os povos merecerem esse lugar no Paraíso, a Igreja instruía os fiéis a não pecarem, obedecendo aos mandamentos divinos e fazendo caridade. Essa caridade, por sua vez, além da ajuda ao próximo, também estavam diretamente relacionadas à doação de bens para a Igreja Católica, a fim de ajudá-la a prosseguir em sua missão.

Os nobres, então, como forma de se livrarem do que a religião considerava seus pecados terrenos, deveriam doar à Igreja bens materiais, como dinheiro, terras e riquezas. Portanto, o crescimento do poder dessa instituição e o tamanho de sua fortuna estão diretamente relacionados com a capacidade que a Igreja tinha de fazer com que os fiéis acreditassem nas verdades que ela pregava. Mais do que acreditar nelas, os fiéis deveriam temer a ira divina e o risco de queimarem no fogo do Inferno após a morte.

Mas como a Igreja fazia os povos acreditarem nisso e a obedecerem? Em primeiro lugar, não foi fácil o processo de definição sobre quais práticas cristãs eram certas ou erradas. Desde o século 4, sob o Imperador romano Constantino, começaram a definir-se os dogmas, com o Concílio de Nicéa, realizado em 325. Os dogmas são as verdades inquestionáveis que norteiam os católicos. No decorrer dos séculos, outros dogmas foram sendo criados, alguns foram reafirmados, outros negados.

Arquitetura e arte cristã
Esse é o sentido das enormes catedrais, com imagens e vitrais que mostravam as personagens e passagens bíblicas. A maioria da população européia, quase a totalidade dos pobres, era analfabeta nesse período. Assim, as imagens das igrejas eram um meio de ensinar os fiéis as histórias bíblicas. Além disso, o ar monumental, sombrio e grandioso dos vitrais e estátuas tinham o sentido de impressionar os fiéis, a fim de que não desobedecerem os mandamentos de Deus.

Essas características descritas acima definem os estilos arquitetônicos românico e gótico. Ainda é possível encontrar igrejas como essas até os dias de hoje. Isso se dá ou porque elas sobreviveram em alguns lugares da Europa por mais de mil anos, ou foram copiadas, alguns séculos depois, em outros lugares do mundo. A Catedral da Sé, em São Paulo, por exemplo, reproduz o estilo gótico medieval.


Igreja da Nossa Senhora da Azinheira (Portugal) com seus traços de arquitetura românica e a Catedral de Colônia (Alemanha) com seus traços de arquitetura gótica

Heresias, perseguições e tortura
A segunda estratégia dos católicos para impor sua fé e seu poder foi a perseguição e a guerra religiosa. A perseguição aconteceu desde os primeiros tempos em que a Igreja Católica se consolidou no século 4. No decorrer dos séculos, essa perseguição foi se tornando cada vez mais feroz, terminando, inclusive, em condenação à morte dos pecadores.

Houve, então, a caça aos hereges, aqueles que discordavam dos ensinamentos da Igreja e interpretavam o cristianismo de uma outra forma. Eles foram perseguidos pelo Tribunal do Santo Ofício, conhecido também como Tribunal da Inquisição, criado no ano de 1231, para combater o catarismo, uma seita cristã dissidente do catolicismo romano.

Muitas vezes, mesmo sem um conjunto de provas bem acabado, uma pessoa poderia ser acusada de transgredir o catolicismo e, com isso, obrigada a se apresentar a um tribunal. Geralmente, quando a confissão não era prontamente declarada, os condutores do processo estipulavam a prisão do acusado. Nesse momento, o possível herege era submetido a terríveis torturas que pretendiam facilitar a confissão de todos os crimes dos quais era acusado.

As torturas poderiam ser variadas. Em uma última modalidade da série, podemos destacar a utilização da chamada “tortura d’água”. Neste aparelho de tortura, o acusado era amarrado de barriga para cima em uma mesa estreita ou cavalete. Sem poder esboçar a mínima reação, os inquisidores introduziam um funil na boca do torturado e despejavam vários litros de água goela abaixo. Algumas vezes, um pano encharcado era introduzido na garganta, causado a falta de ar.


Tortura d´água e do pendulo


Tortura - Cama de estiramento, Iron Maiden (Dama de Ferro) e Cadeira Inquisitória


Iluminura medieval que representa a queima de pessoas consideradas hereges

O conhecimento e as universidades
Para concluir, é importante entender que, ao mesmo tempo em que a Igreja Católica teve o controle das práticas e do pensamento de grande parte das populações européias, usando para isso, inclusive, de meios cruéis, foi no seu interior, que importantes práticas culturais se desenvolveram. Por exemplo, as universidades surgiram em decorrência das atividades de ensino e reflexão filosófica praticadas no interior dos mosteiros.

Os mosteiros eram locais de reclusão do clero, onde os homens que estudavam a doutrina cristã, mantinham-se praticamente isolados da vida em sociedade, dedicando-se ao conhecimento. Os monges formavam, desse modo, o clero regular, que indicava o regime de reclusão ou semi-reclusão em que viviam. Em contraste, havia o clero secular (que vem da palavra mundo, em latim), que cuidava da administração da Igreja e do contato direto com os fiéis: eram o Papa, os bispos, os padres etc.

Dessa forma, foi, então, através do ensinamento dos padres que o conhecimento desenvolveu-se no período medieval na Europa. Assim, dentro das igrejas e catedrais, ensinavam-se às pessoas de origem nobre assuntos como gramática, retórica, lógica, geometria, música, dentre outros.
Iluminura do século XV que mostra uma cena de aula na Universidade de Bolonha (Itália)

Por fim, a partir do século 11, com a demanda por conhecimentos mais práticos na área do comércio e da negociação, as universidades surgiram, inicialmente controladas pela Igreja. Em diversos pontos da Península Itálica, na França e na Inglaterra apareceram essas primeiras instituições de ensino superior. Já no final do século 14, havia mais de 40 instituições deste tipo espalhadas pelo continente europeu.


Universidade de Oxford (Inglaterra)

Música e literatura
Poucas vezes o Homem teve a sua existência tão marcada pela espiritualidade quanto na Idade Média, e poucas vezes foi tão feliz ao tentar imprimir na arte os sinais do invisível.

A rápida expansão do cristianismo exige um maior rigor do Vaticano, que unifica a prática litúrgica romana no século VI. O papa Gregório I (São Gregório, o Magno) institucionaliza ocanto gregoriano, que se torna modelo para a Europa católica. A notação musical sofre transformações, e os neumas são substituídos pelo sistema de notação com linhas. O mais conhecido é o de Guido d'Arezzo (995? 1050?). No século XI, ele designa as notas musicais como são conhecidas atualmente: ut (mais tarde chamada dó), ré, mi, fá, sol, lá, si.



Os sistemas de notação impulsionam a música polifônica, já em prática na época como a música enchiriades, descrita em tratado musical do século IX, que introduz o canto paralelo em quintas (dó-sol), quartas (dó-fá) e oitavas (dó-dó). É designado organum paralelo e no século XII cede espaço ao organum polifônico, no qual as vozes não são mais paralelas e sim independentes umas das outras.

A atividade de compositores profanos, como os minnesangers e os meistersangers germânicos e os trovadores e troveiros franceses, é intensa entre os séculos XII e XIII. Os trovadores da Provença, ao sul da França, e os troveiros, ao norte, exercem forte influência na música e poesia medievais da Europa. Suas músicas de cunho popular, em dialetos franceses, enfatizavam aforismos políticos (como no compositor-poeta Marcabru), canções de amor (Arnaud Daniel, Jofre Rudel e Bernard de Ventadour), albas, canções de cruzadas, lamentações, duelos poético-musicais e baladas. As bases para suas melodias são os modos gregorianos, porém de ritmo marcado e dançante, com traços da música de origem moçárabe do mediterrâneo.

Adam de la Halle (1237-1287) troveiro francês, menestrel da corte de Roberto II de Arras, a quem acompanha em viagens a Nápoles. Trata seus poemas em composições musicais polifônicas, como os 16 rondós a três vozes e 18 jeu partis (jogos repartidos), em que se destacam o Jogo de Robin e Marion e o Jogo da folha, que podem ser classificados como as primeiras operetas francesas.
O Trovadorismo é a primeira manifestação literária da língua portuguesa. Seu surgimento ocorre no mesmo período em que Portugal começa a despontar como nação independente, no século XII; porém, as suas origens dão-se na Provença, de onde vai se espalhar por praticamente toda a Europa.

Fonte:
http://educacao.uol.com.br/historia/
http://www.historiadomundo.com.br
http://reflexaoemmusica.blogspot.com/2009_05_03_archive.html

Origens do feudalismo e divisões sociais do período

O feudalismo é o modo de produção que ocorreu em partes da Europa, durante boa parte da Idade Média. A maioria da população se estabeleceu nos feudos (unidades políticas independentes), visando ficar longe das cidades que sofriam com ataques e pilhagens. 

As origens do feudalismo remontam ao século III, quando o sistema escravista de produção no Império Romano entrou em crise. Diante da crise econômica, militar e das invasões germânicas, muitos dos grandes senhores romanos abandonaram as cidades e foram morar nas suas propriedades no campo. Esses centros rurais, conhecidos por vilas romanas, deram origem aos feudos medievais. 

No sistema feudal, o rei concedia terras a grandes senhores. Estes, por sua vez, davam terras a outros senhores menos poderosos, chamados cavaleiros, que, em troca lutavam a seu favor. Quem concedia a terra era um suserano, e quem a recebia era um vassalo. As relações entre o suserano e o vassalo eram de obrigações mútuas, estabelecidas através de um juramento de fidelidade. 

A sociedade feudal era dividida em camadas sociais e a passagem de uma camada social para a outra era praticamente impossível. De acordo com a função específica de cada camada alguns historiadores classificam-na como uma sociedade formada por aqueles que lutam (nobres), aqueles que rezam (clero) e aqueles que trabalham (servos). Os servos não tinham a propriedade da terra e estavam presos a ela. Não podiam ser vendidos como se fazia com os escravos, nem tinham liberdade de abandonar as terras onde nasceram. 

A nobreza e o clero compunha a camada dominante dos senhores feudais, ou seja, aqueles que tinham a posse legal da terra e do servo e que dominavam o poder político, militar e jurídico. O alto clero era composto pelos seguintes membros: papa, arcebispos e bispos. O baixo clero era composto pelos padres, e monges. 

A nobreza era também hierarquizada estando dividida em alta e baixa nobreza. Alta nobreza: duque, marquês e conde. Baixa nobreza: visconde, barão e cavaleiro. Os servos viviam em extrema miséria, pois, além de estarem presos à terra por força de lei, estavam presos aos senhores, a quem deviam obrigações como: 
• a talha (dar parte da produção ao senhor feudal); 
• a corvéia (trabalhar alguns dias na semana nas terras do senhor); 
• as banalidades (pagamento ao senhor pela utilização das instalações do feudo). 

Referências: 
http://educacao.uol.com.br/historia/ult1690u14.jhtm 
http://www.historiadomundo.com.br/idade-media/feudalismo.htm

terça-feira, 27 de maio de 2014

Muro de Berlim ainda separa o futebol na Alemanha

*Por André Donke, Guilherme Nagamine e Jean Pereira Santos, do ESPN.com.br 

Era 17 de novembro de 2010. O empate sem gols com a Suécia, em Gotemburgo, pode ter servido apenas para o técnico Joachim Low testar novos nomes na seleção alemã visando a Eurocopa de 2012 e a Copa do Mundo de 2014. Porém, um significado histórico também estava por trás deste jogo. 

Precisamente aos 32 minutos do segundo tempo, o quarto árbitro levantou a placa não apenas para anunciar duas substituições. Na verdade, ele indicaria um momento único para o povo alemão: a entrada de Mario Gotze e André Schurrle no gramado, os primeiros jogadores a defender os tricampeões mundiais nascidos após a reunificação do país, em 1989. 
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O fato ocorreu poucos dias após o aniversário de 21 anos da queda do Muro de Berlim e um mês depois da data que marcou 20 anos desde que Alemanha Oriental e Ocidental deixaram de existir para voltarem a ser uma só nação. Desde 3 de outubro de 1990, quando oficialmente a Alemanha voltou a ser apenas um país, muitas coisas mudaram. No entanto, o futebol foi uma das áreas que mais ficou estagnada. 
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Enquanto as empresas se espalharam pelo leste germânico logo que o muro caiu e as diferenças políticas praticamente deixaram de existir, no esporte mais popular do planeta, a parte oriental seguiu frágil. 
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Na seleção, dos 30 jogadores pré-convocados para o Mundial no Brasil, 26 nasceram na região ocidental. Apenas dois atletas - Marcel Schmelzer e Toni Kroos - que integram a relação são naturais do que foi a Alemanha comunista, o mesmo número em relação aos que nasceram na Polônia. Além disso, dessa lista, 28 jogadores foram revelados para o futebol profissional por clubes da Alemanha Ocidental e os outros dois na Inglaterra. 

"Para os países comunistas, o foco esportivo sempre foram as Olimpíadas, onde eles encontravam a manifestação do poder. Houve uma transferência de recursos da Ocidental para a Oriental como processo de integração. Só que os clubes não tiveram o mesmo acesso aos recursos financeiros", explicou em entrevista ao ESPN.com.br o professor do curso de Relações Internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP) Marcus Vinícius de Freitas. 
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E é isso o que mostram os resultados. Nos cinco Jogos Olímpicos que disputou (1968, 1972, 1976, 1980 e 1988), a Alemanha Oriental terminou em três oportunidades no segundo lugar, uma em terceiro e outra em quinto, sendo que, em todas, ficou à frente da Alemanha Ocidental. 
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Se nos gramados o muro ainda existe, em outros campos, ele vai sendo destruído tijolo a tijolo. Na política, por exemplo, Angela Merkel, que nasceu em Hamburgo, mas cresceu em Templin, na Alemanha Oriental, ocupa o cargo mais alto - chanceler - desde 2005, o que mostra um relacionamento muito mais aberto e equilibrado entre as duas partes. 
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Além disso, o relatório sobre o estado da unidade alemã, que é divulgado uma vez por ano, apontou que em 2013 se registrou a melhor situação econômica do leste desde a reunificação. Apesar da melhora, ainda falta muito. A taxa de desemprego na região é o dobro em relação à ocidental, e os salários, em média, se equivalem a 80% aos da outra parte do país. 

"O processo de reconstrução da Oriental começou em 1990, enquanto na Ocidental começou em 1949. Mas a rapidez com que foi feita a reforma política da Oriental é muito mais rápida do que aconteceu na Ocidental entre 1949 e 1990", disse em entrevista ao ESPN.com.br o professor titular de História e membro do corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Estevão Chaves de Rezende Martins. 

MURO DE BERLIM E A SEPARAÇÃO DA ALEMANHA 
O fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, e o início da Guerra Fria na sequência tiveram reflexos diretos na na Alemanha. Derrotado no primeiro conflito, o país viu o fim do governo nazista e teve sua capital dividida pelos vencedores. Berlim se repartiu em quatro parcelas: uma para russos, uma para franceses, uma para norte-americanos e uma para alemães. 

Nos anos seguintes, a instabilidade entre capitalismo (encabeçado por Estados Unidos) e socialismo (liderado pela URSS) se agravou, e o conflito ficava cada vez mais evidente com medidas como o Plano Marshall - que ajudava países capitalistas que sofreram com a guerra - e o bloqueio soviético a Berlim Ocidental. 

Centro da Guerra Fria, Berlim viu o ápice deste confronto ideológico em 13 de agosto de 1961 quando amanheceu com um muro sendo esboçado. Aquela parede com 37 quilômetros se estabeleceu em meses e separou a capital germânica por 29 anos. 


Somente com a queda do bloco socialista e o fim da Guerra Fria encaminhado é que o muro seria derrubado, em 9 de novembro de 1989, acabando com a separação forçada da Alemanha. A unificação, oficialmente, ocorreria em 3 de outubro de 1990.

terça-feira, 20 de maio de 2014

MAXI - 9º ano - 2º Bimestre - Revisão dos conteúdos da 2ª Prova














Assista ao vídeo a seguir sobre o início do conflito, as principais batalhas e os momentos decisivos da Segunda Guerra Mundial:
video

E se a Segunda Guerra Mundial ocorresse via Facebook? O link a seguir mostra como seria:

quinta-feira, 1 de maio de 2014

ÁRABES: Islamismo - O monoteísmo entre os árabes

*por Érica Turci do UOL 

É comum, nos dias de hoje, ouvir-se falar em árabes e islamismo, ou em muçulmanos, como se essas palavras fossem sinônimos. Na verdade, elas têm significados diferentes, embora estejam diretamente relacionadas entre si. É preciso, portanto, compreender melhor esse relacionamento para desfazer a confusão e entender com mais clareza alguns fatos da atualidade, como os frequentes atentados terroristas cometidos em nome da religião islâmica - apesar de os preceitos do islamismo, como o de várias outras religiões, serem essencialmente pacifistas. 

Os árabes são um povo que se desenvolveu na península Arábica, uma vasta região localizada na junção dos continentes africano e asiático. Ao longo da Idade Média, porém, os árabes se expandiram e formaram um grande império. Sua cultura, que tem como principal característica a crença no islamismo, foi então assimilada por diversos outros povos. Vamos acompanhar o desenvolvimento dessa história para compreender porque se pode falar, hoje, na existência de um mundo árabe. 



A península Arábica pode ser dividida, mais ou menos, em duas áreas geográficas: a sudoeste encontra-se uma região montanhosa e fértil, irrigada por vários riachos, com bons índices de pluviosidade e banhada pelo mar Vermelho. O restante do território é formado por desertos, onde existem oásis esparsos. É esse o cenário onde os árabes surgiram e se desenvolveram há milênios. 

Até meados do século VII, esse povo não se organizava em um Estado centralizado, mas se dividia em dezenas de tribos independentes. Cada uma delas, era composta por clãs (grandes famílias) unidos em torno de um líder (o sheik), escolhido por seus membros. Cada tribo tinha o seu próprio deus e o seu próprio código de ética. Para os árabes, a tribo vinha em primeiro lugar: qualquer ameaça a qualquer um de seus integrantes eram considerada uma ameaça coletiva. Cada membro da tribo tinha a obrigação de cuidar dos outros. Não existia espaço para o individualismo. 

A maior parte da população árabe era formada pelos beduínos, pastores e comerciantes nômades que viviam no deserto. Essas tribos em especial, devido à grande dificuldade de sobrevivência numa região inóspita, se enfrentavam constantemente, travando lutas intermináveis pelo controle dos oásis e praticando as razias, ou seja, os saques às outras tribos. 

Já os grupos tribais que se estabeleceram na região fértil do sudoeste puderam desenvolver a agricultura, tornaram-se sedentários e fundaram cidades. No final do século VI, a cidade de Meca (na atual Arábia Saudita) se tornou a mais importante delas. Era controlada pela tribo dos coraixitas, que desenvolveram um rico comércio. Além disso, Meca era também um centro de peregrinação religiosa, pois ali se encontrava a < >Caaba, o mais importante dos templos árabes. Esse templo, em formato de cubo, na época, abrigava os ídolos das várias tribos. 

Segundo a tradição, foi construído por Abraão e seu filho Ismael num tempo muito remoto, o que demonstra ser única a origem de árabes e judeus, sendo ambos os povos semitas. Na Caaba era proibido qualquer tipo de hostilidade, o que beneficiava as atividades mercantis, características dos árabes em geral. Tanto os beduínos do deserto quanto os que viviam nas cidades desenvolveram um intenso comércio com as regiões vizinhas: os povos do litoral africano, os persas, os bizantinos e os judeus. Em cada cidade árabe, era comum existir pequenas comunidades de estrangeiros que viviam do comércio internacional. 

Maomé e o Islã 
Maomé (Muhammad ibn Abdallah) nasceu em Meca, em torno de 570 d.C.. Era membro da tribo dos coraixitas, mas fazia parte de uma família empobrecida, os haxemitas. Tornou-se comerciante e, desde pequeno, conviveu com pessoas de diversas culturas. A tradição diz que somente ao se casar com uma viúva muito rica (Khadija), Maomé pôde ter um conforto material. A partir de então, passou a se retirar para as regiões montanhosas a fim de meditar sobre as diversas culturas e religiões que conhecia. Conta-se que sempre teve um espírito inquieto, era um grande observador, além de questionador. 


Maomé

Em 610, num retiro no Monte Hira, Maomé acordou no meio da noite sentindo uma presença arrebatadora: na sua frente viu um anjo (que mais tarde se identificou como o arcanjo Gabriel) que lhe ordenava: “Recita!”. Maomé pensou que estivesse enlouquecendo. Tentou se livrar daquela presença, mas, para todos os lados que corria, deparava com o anjo dizendo: “Recita!”. Porém, ele não compreendia a ordem do anjo, pois não era um recitador (um tipo comum de adivinho no mundo árabe da época). 

O anjo, então, o abraçou fortemente, de modo que o homem sentiu o ar sumir de seus pulmões. Mesmo assim, Maomé resistiu a mais dois abraços. Depois do terceiro, Maomé, embora sem fôlego, abriu seus lábios e começou a falar de coisas sobrenaturais das quais jamais teve consciência. Dessa forma surgiram as primeiras palavras divinas na língua árabe (que se tornou uma língua sagrada, assim como o latim para os católicos ou o hebraico para os judeus): 

Recita em nome do teu Senhor que criou; Criou o homem de um coágulo. Recita que teu Senhor é Generosíssimo, Que ensinou através do cálamo, Ensinou ao homem o que este não sabia!” 

A partir dessa ocasião, Maomé passou a comunicar-se com o arcanjo Gabriel e, numa espécie de transe, recitava as palavras divinas para os membros de sua família, que as interpretavam como se Alá (Al- Lá: “o Deus”) estivesse falando através dele. As palavras ditas por Maomé eram poéticas, de uma beleza tão envolvente, de uma verdade tão contundente, que ele passou a ser considerado um profeta e a ter muitos seguidores. 

Por mais de três anos, Maomé relutou em defender a crença no Deus único, que o arcanjo Gabriel lhe impunha, pois sabia que as tribos não aceitariam um poder que fosse maior e que pudesse agir além de suas próprias condutas religiosas e éticas. Mas, a cada aparição, o arcanjo era mais enfático: era necessário defender e propagar a crença monoteísta entre os árabes. 

Dessa forma surgiu, segundo a tradição, uma nova religião que se chamou Islã (ou islamismo), que em português significa “submissão”. O seguidor do Islã se chama muslin (ou muçulmano), “fiel, crente”. Maomé passou a ser considerado o “selo dos profetas”, ou seja, o que veio depois de todos os profetas judeus e cristãos (Cristo é visto como um profeta pelos muçulmanos), para finalizar a revelação divina. 

Enquanto Maomé recitava as palavras de Alá, alguns poucos ouvintes alfabetizados as escreviam. Daí surgiu o livro sagrado do Islã, o Al – qurãn (Corão ou Alcorão), que quer dizer “A Recitação”. (O livro sagrado é considerado de tamanha beleza poética que somente os que compreendem a língua árabe podem perceber seu encantamento e poder de persuasão). 

A Hégira e a formação do Estado Árabe 
A partir do momento em que Maomé enfatizou o caráter monoteísta de sua religião e a necessidade de os muçulmanos divulgarem as palavras divinas, os coraixitas (elite dominante de Meca) passaram a perseguir Maomé e seus fieis, pois não viam com bons olhos a crença no Deus único do islamismo. Temiam a diminuição das peregrinações religiosas a Meca, assim como dos lucros comerciais que elas proporcionavam. 

Em 622 d.C., Maomé recebeu um convite dos habitantes de Yatrib, cidade que ficava a 10 dias de viagem a pé de Meca. Lá duas tribos rivais (aws e khazraj) viviam em conflito há muito tempo, o que as estava destruindo. As duas decidiram pedir orientação a Maomé, que para lá se dirigiu, pacificando-as. Esse episódio é conhecido como Hégira (“emigração”, “fuga”), e marca o início do calendário muçulmano. Em Yatrib, Maomé organizou a primeira grande comunidade islâmica, e a cidade passou a se chamar Madinat al Nabî (ou Medina “cidade do profeta”). 

Desse momento em diante, os muçulmanos de Medina tiveram que enfrentar os ataques de diversas tribos politeístas. Uma série de batalhas se sucedeu e várias tribos foram conquistadas e convertidas ao Islã, embora muitas outras tribos tenham se convertido por vontade própria à nova religião. 

Em 630, Maomé, a frente de um poderoso contingente militar, conseguiu tomar Meca, pondo fim às guerras intertribais e instaurando o Estado Teocrático Árabe, do qual se tornou o líder político e religioso. O profeta, com suas próprias mãos, destruiu todos os ídolos tribais da Caaba, transformando-a no mais importante templo do Islã. 


Caaba

Para não entrar em atrito com as tradições específicas das diversas tribos, Maomé permitiu que continuassem a segui-las, desde que se comprometessem a cumprir as cinco obrigações do islamismo, o que acabou por unificar todas as tribos em nome de Alá. Assim formou-se a Ummah (Comunidade Muçulmana), o que de certa forma, manteve o principio cultural das tribos árabes: a ummah era mais importante do qualquer indivíduo, todos eram responsáveis uns pelos outros e qualquer um que se colocasse contra as palavras do profeta era considerado um criminoso. 

As cinco obrigações islâmicas 
1) crer em Alá como deus único e em Maomé como seu último profeta; 
2) orar cinco vezes ao dia com a cabeça voltada em direção a Meca; 
3) dar esmolas; 
4) jejuar no Ramadã (nono mês do calendário islâmico); 
5) toda pessoa saudável deve visitar a Caaba (em Meca) pelo menos uma vez na vida. 

Maomé unificou as tribos árabes sob um único Estado baseado na religião islâmica e se tornou o primeiro chefe político e líder religioso da comunidade muçulmana (a ummah). Desde então, para os árabes, a política e a religião estão interligadas: para um muçulmano ser um bom cidadão deve seguir as palavras sagradas de seu profeta Maomé.
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